Teoria, método e rigor. Ferramentas
indispensáveis para a historiografia, formadoras dos pilares da fundamentação
científica que é tão característica do historiador. Mas afinal, o que faz um
historiador? Faz a própria história, ou é responsável por escrevê-la apenas?
O
historiador possui esse não-dito formado pelo lugar, a temporalidade, as formas
do discurso, nessa teorização e interpretação inconsciente que faz ao longo de
sua escrita. Esse lugar social do historiador não é
exclusivamente uma instituição acadêmica, por exemplo. Trata-se da comunidade
de pesquisadores, a profissão, formando uma particularidade.
Em
nossa formação somos ensinados a pensar teoricamente como historiador, a agir
metodologicamente como historiador e a escrever como historiador, onde estudamos,
por exemplo, sobre o Tempo e sobre a alteridade das fontes. Aprendemos a não cometer
anacronismos e a sermos críticos, onde o que nos guia é esse conjunto entre a
teoria, a metodologia e a escrita da história. O que nos permite a qualquer
hora escrever uma história é o fato de que aprendemos a pensar
historiograficamente, teorizando e agindo metodologicamente, pois fomos
moldados a pensar e fazer relacionados ao método histórico.
Mas,
em algumas ocasiões indago-me até que ponto esta formação nos limita enquanto
agentes deste meio social, uma vez que, majoritariamente escrevemos para a academia.
É minoria absoluta os textos historiográficos que têm fundamentação teórica e,
ao mesmo tempo, se preocupa em se fazer entender em meio aos academicamente
leigos. É nesse cenário de distanciamento entre a academia e a sociedade que
abre-se espaço para essa explosão de “história-estéticas” feitas, muitas vezes,
sem qualquer compromisso com a veracidade dos fatos.
Como podemos produzir conhecimento e ao mesmo
tempo este ser inacessível a uma grande camada da sociedade? Qual o sentido em
produzir conhecimentos de um jeito que a sociedade quase não consome? Seria
essa a abordagem da política direita brasileira, fazer-se entender, mesmo que
sem fundamentação teórica? Qual o papel do historiador neste fazer-se entender
popular? Tais questionamentos me vêm a mente em uma tentativa de pensar em
soluções para esta nova realidade social.


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