sexta-feira, 29 de novembro de 2019

O evento modernista e as construções das narrativas históricas

H. White traz a literatura do século XX, como algo que dissolve o evento modernista. Fazendo uma ampla comparação, ao dizer que essa literatura não se desenvolve de uma forma cronológica, Com outro tipo de literatura antiga, como "Guerra e Paz",no final do século XIX. Expondo uma clara diferença entre fatos e ficção. Todo historiador produz enredos, constrói narrativas, muito parecida com romance. Onde não fazemos história sem o drama, pois o contrário, seria simplesmente uma cronica de eventos. Sendo o historiador, o ser que trabalha por meio de camadas ficcionais.
Por ser colocado dentro de enredos, o acontecimento histórico é narrado em um contexto dramático (antes e depois). Algo que na contemporaneidade, apresenta uma dificuldade de construir esta narrativa. Pela dificuldade de estabelecermos um dialogo com o passado.  

O acontecimento e o sentimento de presente histórico na sociedade contemporânea

Pierre Nora traz a idade contemporânea, como uma história sem identidade e autonomia.  Com o  surgimento do acontecimento, que ocorre no ultimo terço do século XIX, pelas mãos de historiadores positivas. Nasce  uma grande característica desta história contemporânea, o sentimento de presente histórico. Onde todo dia é um dia histórico, Esse sentimento ocorre, na medida em que esses acontecimentos se propagam por meio das mídias de comunicação em massa. Sendo para Norra o papel da mídia, algo que condicionaria a existência deste acontecimento.
Pelo rádio, o mundo ouviu a narração de guerras e fortes discursos da classe operaria, movimentos estudantis políticos e poéticos. Para  Franz Fanon, o papel da voz dos árabes na guerra da Argélia, sendo  o poder da voz o mais poderoso motor da história desde os profetas e oradores gregos.
Com a televisão, esse acontecimento foi propagado de uma forma democrática, onde todas as pessoas testemunhavam acontecimentos históricos como: o desembarque do homem a lua, a invasão de Praga e a queda do muro de Berlim. Essa democracia se dá, pela pouca quantidade de canais de televisão,o que assegurava uma menor dispersão. Sendo esse acontecimento projetado, de forma espetacular.
Norra discorre "O retorno do Fato", na década de 80 do século XX.  Sendo impossível nos primeiro anos do século XXI, não relacionar a internet com a propagação instantânea do acontecimento por meio das redes. Solidificando esta ideia de presente histórico, como característica da sociedade contemporânea.

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

A pretensão não antropocêntrica






Em seu artigo “Para além do antropocentrismo nos estudos históricos” Ewa Domanska nos convida a pensar na possibilidade de construção de uma história não-antropocêntrica. Ao longo do texto, a autora desenvolverá a hipótese que o desafio às pesquisas de hoje não está na elaboração de novas questões ou teorias, mas sim no deslocamento da própria investigação para uma forma de conhecimento não antropocêntrico. Entretanto, a pergunta que se coloca é a seguinte: será possível, por meio da nossa linguagem, construir uma narrativa que não seja antropocêntrica, ou o próprio ato linguístico de narrar é por si só antropocêntrico?
Essa questão coloca para nós uma reflexão sobre a própria linguagem, de modo a questionar até que ponto essa linguagem humana dá conta de incluir na narrativa esses elementos outros que fazem parte de campos linguísticos totalmente distintos, principalmente no que tange a linguagem humana acadêmico-científica. Assim, quando tentamos buscar mesclar elementos de uma história natural, ou de uma história das espécies, com a história dita humana, talvez não consigamos ir muito além do que de uma “humanização” das outras formas de ser e estar no mundo. Aqui, não digo necessariamente uma humanização no sentido de transposição literal de normas e valores, mas porque o próprio ato de narrar já é por si só humano.
Com isso, não necessariamente criamos uma forma de narrativa não antropocêntrica, mas apenas conseguimos colocar, no seio dessas narrativas, elementos outros ditos “naturais”, mas ainda sobre um filtro e uma ótica de interpretação humana. Então talvez o primeiro passo seja perceber que não conseguimos fugir totalmente de uma narrativa que não seja, em alguns pontos, antropocêntrica, mas que podemos buscar alargar os horizontes que essas narrativas abarcam. Compreender então que a narrativa histórica e a nossa linguagem são por si só elementos humanos, talvez seja o passo inicial mais significativo que possamos dar em relação a essa tentativa de escapar, ou de ao menos diminuir os efeitos, do nosso próprio antropocentrismo.

O TEMPO QUE INSISTE EM VOLTAR NA DITADURA BRASILEIRA

Em uma sangrenta America latina do século XX,  marcada por  ditaduras civil-militar, em diversos países. As comissões da verdade surge com o objetivo de debater e passar a limpo a história de suas ditaduras, no século XX. BERVENAGE. B contribui ao trazer, uma especie de novo conceito de temporalidade, para tratar as questões dessas comissões. Embasado na obra do filósofo francês Vladimir Jankélévitch. Bervenage traz uma noção temporal de um passado presente. Para as vítimas as violência, torturas, marcas e traumas da quela época. Ainda não passou. Seria um passado irrevogável, pois ele insiste em não tornar passado.
 Podemos ilustrar essa temporalidade, em um discurso do então Sr° Presidente da Republica, Jair Messias Bolsonaro, quando ainda deputado federal, no dia 17/04/2016, durante seu voto no processo de impeachment da então presidente Srª Dilma Roulsseff, vítima da ditadura civil-militar brasileira. Homenageou o seu torturador, Coronel Carlos Brilhante Ustra. Ao fazer esta menção, o então deputado faz ressurgir no interior desta vítima, toda violência sofrida durante aquele período. O passado insiste em não ir embora.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

A literatura modernista com um olhar no Oriente



No texto “O evento modernista”, o autor Hayden White, descreve sobre esse evento, o qual surgiu no século XX trazendo uma literatura e arte em geral de uma forma mais moderna, através de um discernimento entre o discurso realista e o imaginário. A partir disso ele fala sobre as consequências da forma que a ‘literatura modernista’ poderia interferir em questões importantes para o entendimento da forma que a cultura ocidental contemporânea produz, em relação a literatura e a história de fato, como em livros, filmes, séries, que reproduzem histórias sobre a 1ª Guerra Mundial, a 2ª Guerra Mundial, o Holocausto, entre outros acontecimentos.
Essa ‘literatura modernista’, traz alguns autores nesse mesmo período do século XX, uma visão diferente de escrever sobre eventos históricos que tiveram impacto como as guerras. Através de obras como, Sidarta de Hermann Hesse, no qual em certas condições histórico-sociais, ocorre um aumento da descrença em valores morais que nos cercam, incluindo a ética cristã e a racionalidade da precisão de autoridades. Dessa maneira, após a Primeira Guerra Mundial, considerando-se todo o massacre e a destruição que o Ocidente imergira, Hesse escreve sua obra, a qual exalta a cultura oriental. Em 1946, Hesse recebeu o Prêmio Nobel de Literatura por sua figura pacifista. Após seu falecimento, outros escritores do século XX como, Somerset Maugham, um famoso escritor britânico, se inspirou no livro “Sidarta”, para escrever seu livro “O Fio da Navalha”, no qual conta a história de um jovem que traumatizado pela guerra abandona a alta sociedade americana e vai para uma peregrinação ao Ganges, em busca de uma vida tranquila e simples.

Fato ou Fake?



Na sociedade brasileira atual, estamos vivenciando um período de múltiplas narrativas tão intenso, que muitas vezes não conseguimos discernir o que é verdade ou o que é uma fakenews. Nesse sentido, me vem a mente a discussão sobre os eventos, fatos e ficção abordada por H. White. Segundo ele, os eventos se referem aos acontecimentos históricos propriamente ditos. Já os fatos referem-se às análises históricas, políticas ou sociais que são feitas dos eventos e a ficção aparece como análise mais abstrata destes eventos, como uma forma de representação da realidade.


            Mas pra que nos aprofundarmos nos acontecimentos históricos? Já não superamos a história dos grandes feitos, dos grandes homens? Talvez essas perguntas tenham um fundo de sentido, mas não há como tratarmos da história contemporânea sem abordarmos os eventos. O Presente está cada vez mais “dominado pela tirania do acontecimento” (NORA). Vivemos hoje, o tempo da velocidade, onde tudo chega rápido e tudo se vai rápido. 

            Como lidar então, com este tempo, chamado por François Hartog de “presentismo”, em que tem-se o evento e logo junto dele os seus fatos? A contemporaneidade está a todo momento aprendendo a lidar com as frequentes mudanças advindas dessa velocidade imposta por este processo histórico, mas essa nova realidade trás consigo os perigos da perca da legitimidade dos discursos históricos. Como podemos identificar então, em meio a esse emaranhado de notícias malucas, que emergem desse negacionismo histórico, o que realmente está acontecendo e o que é apenas ficção? Quais são as possibilidades de contorno dessa situação?



Notícias falsas: campanha do Senado mostra como identificar fake News

Filme "F for Fake - Verdades e Mentiras" - Legendado

O Tempo é



Dias, meses, semestres... Quando percebemos, mais um natal está de volta e o ano já se passou... Quem nunca ouviu a expressão “O tempo voou”?  Às vezes me pego pensando: como podemos lidar com esta aceleração toda? Cada dia mais, vivenciamos o distanciamento entre o que Koselleck chamou de Espaço de Experiência e Horizonte de Expectativa. A cada mudança, advinda da modernidade, nos sentimos menos representados pela vivência de nossos antepassados e, consequentemente, as gerações futuras se sentirão ainda menos representadas por nossas experiências.

O tempo: nos dedicamos tanto a tentar entendê-lo e a explicar sua relação com a história que, ás vezes, nem nos damos conta do quão rápido ele passa para essa geração moderna e, concomitantemente, como se passa devagar em sociedades menos “conectadas”. Qual a razão dessa diferenciação? Tem-se mais de um tempo ou o que muda é apenas nossas percepções sobre sua passagem? 

Nessa conjuntura, insere-se a discussão a respeito da temporalidade na sociedade moderna: como o paradigma tecnológico da informação está modificando o nosso entendimento de tempo, visto que, estamos vivendo em uma comunidade midiatizada que venera o imediatismo e, majoritariamente, não se preocupa em aprender com o passado? Tal pensamento torna-se ainda mais nítido, quando compreendemos que o progresso tecnológico viabilizou a construção de um espaço global sem fronteiras, redesenhando o sentido de tempo-espaço para o sujeito, além de permitir a explosão dessa multiplicidade de narrativas rasas.

Muitas vezes, ao não sabermos lidar com tamanha mudança e aceleração, o que percebemos é o surgimento da nostalgia como ponto de apoio ou, em extremos, como tentativa de resgate do passado, o que pode, por sua vez, ter consequências extremamente negativas, uma vez que esta pode vir acompanhada de discursos fascistas. 

O tempo, dessa forma, se mostra muito mais desafiador do que já é conseguir defini-lo. Ele representa as diferenciações históricas entre sociedades, ele marca acontecimentos históricos e separa gerações. Composto pela mistura de passados, futuros e presente, o tempo nos amedronta, contudo, inevitavelmente vai continuar a nos instigar... Mas será que conseguiremos, em algum momento, vivê-lo sem a pressão de não o estarmos perdendo?